Estratégias de estudo, para quê as quero?

ENDO, Marcela Miyuki Cavamura; MIGUEL, Fabiano Koich; KIENEN, Nádia. Estratégias de aprendizagem de estudantes de psicologia: Um estudo exploratório. Quaderns de Psicologia, [S.l.], v. 19, n. 1, p. 73-87, abr. 2017. ISSN 2014-4520. doi:http://dx.doi.org/10.5565/rev/qpsicologia.1377.

Estudar, embora seja um comportamento exigido dos estudantes desde os primeiros anos escolares, raramente é explicitamente ensinado. Normalmente é concebido como um comportamento nato, isto é, como se surgisse naturalmente. Entretanto, este é um comportamento altamente complexo e que pode ser aprendido. Por exemplo, alguns comportamentos que o aluno deve ser capaz de fazer para estudar são ler com eficiência, adquirir e organizar as informações, fazer inferências, resumir, identificar pontos relevantes, entre outros (Tavares, José, Medeiros, Peixoto, & Ferreira, 2003).

Dessa forma, por se tratar de um comportamento complexo, existem várias maneiras de se estudar, e várias estratégias que os alunos utilizam para isso. Entretanto, muitos estudantes ingressam no ensino superior sem haver desenvolvido comportamentos necessários para lidar com essas novas situações de estudo (Silva & Santos, 2004). Por isso se faz necessário estudar as estratégias de estudo utilizadas pelos estudantes do ensino superior. Quais estratégias são mais utilizadas? Será que elas mudam no decorrer dos anos letivos? Há diferenças entre as estratégias utilizadas por meninos e por meninas? A fim de tentar responder estes e outros questionamentos é que propusemos um estudo exploratório para verificar as estratégias de estudos utilizadas por estudantes de Psicologia de primeiro ao quarto ano de uma universidade pública do estado do Paraná, no Brasil.

Nesse estudo foi possível verificar que quanto maiores as pontuações dos estudantes em todas as estratégias de estudo que investigamos (e.g. organização do tempo, concentração, motivação), também mais desenvolvidas eram as estratégias de leitura, o que indica que as estratégias de estudo parecem aumentar a chance de uma leitura mais eficiente. Além disso, também pudemos observar que alunos do primeiro ano tiveram maiores pontuações na maioria das estratégias de estudo que investigamos (atitude, motivação, concentração, estratégias de verificação e organização do tempo) quando comparados com os demais estudantes, indicando perda do interesse ou motivação ao longo da graduação, possivelmente devido a excesso de carga e exigências.

Esses dados nos mostram a importância de intervir sobre a motivação dos alunos a fim de que eles possam utilizar uma variedade maior de estratégias de estudo. Isso porque a motivação tem se mostrado um fator extremamente relevante no engajamento dos estudantes nas atividades escolares, assim como em seu sucesso acadêmico. A intervenção poderia auxiliar os estudantes a avaliarem o valor que atribuem à universidade, ao curso que estão fazendo e a estabelecer metas considerando o que a universidade e o curso podem lhes fornecer.

Referências

Silva, Maria José Moraes da, Santos, Acácia Aparecida Angeli dos (2004).  A avaliação da compreensão em leitura e o desempenho acadêmico de universitários. Psicologia em Estudo, 9(3), 459-467. Recuperado de http://www.scielo.br/pdf/pe/v9n3/v9n3a13

Tavares, José, Bessa, José, Almeida, Leandro S., Medeiros, Maria Teresa, Peixoto, Ermelindo, & Ferreira, Joaquim Armando. (2003). Atitudes e estratégias de aprendizagem em estudantes do ensino superior: Estudo na Universidade dos Açores. Análise Psicológica21(4), 475-484. Recuperado de http://www.scielo.gpeari.mctes.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312003000400006&lng=pt&tlng=pt

 

 

Marcela Miyuki Cavamura Endo (Penápolis, 1991) é psicóloga clínica formada pela Universidade Estadual de Londrina (2014).

Fabiano Koich Miguel (São Paulo, 1976) é doutor em Psicologia pela Universidade São Francisco, é professor adjunto da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e foi professor convidado da Università degli Studi di Torino (Itália). Trabalha com pesquisas na área de desenvolvimento de instrumentos de avaliação psicológica.

Nádia Kienen (Blumenau, 1977)  doutora em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (2008) e professora adjunta da Universidade Estadual de Londrina (UEL), atuando no Departamento de Psicologia Geral e Análise do Comportamento e no Mestrado em Análise do Comportamento. Possui pós-doutorado pela University of Alabama at Birmingham – EUA. Atua com ensino e pesquisa na área de Programação de Ensino em contextos organizacionais, educacionais e de saúde.

 

 

 

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